cá com os meus botões

22/01/2009 at 4:31 1 comentário

O Curioso Caso de Benjamin Button

Assistir O Curioso Caso de Benjamin Button foi uma experiência que significou muito mais do que simplesmente ir ao cinema e ver um filme. No caso, foi dar uma “remexida” em tudo que estava guardadinho aqui dentro.

O filme não é apenas uma fábula sobre um homem que nasceu “sob circunstâncias incomuns”. Mais do que ser um espetáculo tanto artístico quanto tecnológico, o filme fala sobre uma coisa que todos temos e muitos não aproveitamos: vida. Não no significado de curtição, e sim na valorização do que temos e nos é oferecido – e muitas vezes descartado por caprichos, melindres e imaturidade.

Uma das frases ditas no filme, “nós somos definidos pelas oportunidades que temos, mesmo aquelas que perdemos”, resume perfeitamente o que tenho refletido sobre o que é a vida e o que são as pessoas. Nascido com características de uma pessoa de 80 anos (o que diferencia o filme do conto original de F. Scott Fitzgerald, nesse caso, é que no original ele já nascia num corpo de velho), o bebê, filho de família rica, é abandonado e criado num asilo. Desde cedo, Benjamin tem que aprender a lidar com perdas, vendo seus “companheiros” de casa partindo e se questionando quanto tempo de vida ainda tem pela frente.

O nosso “prazo de validade” já foi discutido inúmeras vezes pelo cinema. O que me comoveu em Benjamin Button foi que ele não deixou a vida passar por ele. Benjamin a abraça e quer tirar proveito de tudo que ela possa lhe oferecer, mesmo sabendo que as tais perdas serão constantes. E como a maioria dos seres humanos, Benjamin tem seus desejos e necessidades. Uma criança num corpo de um idoso descobrindo o mundo. Entre suas descobertas, surge Daisy, uma menininha com quem se identifica por conta da idade e é correspondido. Logicamente não há nenhuma conotação pedófila, são duas crianças que se tornam amigas e têm os mesmos anseios em comum.

E o tempo passa… para ele de uma forma diferente do resto das pessoas. Ele descobre a paixão, o sexo, as agruras. Continua vivendo e, mesmo distante, Daisy continua fazendo parte de sua vida. Seus tempos são diferentes, ela vai atrás de seus sonhos, vivencia as coisas que uma mulher de sua idade pode e tem que viver.

Mas o filme não é apenas um romance sobre o amor desencontrado de ambos. Fala de coisas que todos temos e sentimos. A necessidade de se compartilhar, de ter alguém a quem se dedicar. De cuidar e ser cuidado. A vontade de se cultivar algo que seja maior do que a vida finita. O sonho de poder construir uma vida em comum. A importância não de possuir alguém, mas de se ter o amor de alguém.

Para Benjamin e Daisy há diversas impossibilidades por conta da situação dele. Suas vidas caminham em direções opostas: enquanto ela envelhece, ele vai remoçando. Em determinado momento, ele diz a ela que nada dura para sempre. Ela lhe afirma que algumas coisas sim.

E ao final, que não surpreende ninguém mas emociona bastante, Daisy comprova que o que afirmou a Benjamin é real. Algumas coisas realmente são eternas, estão e estarão sempre conosco. O mais difícil é conseguir (con)viver com elas, ou não vivê-las. O difícil é conviver com o tempo. O duro da vida é conciliar o tempo com nossas necessidades e desejos. O que machuca mais não é ser ignorante a respeito de quanto tempo temos e saber que a morte chega para todos. Crescer e amadurecer dói, perder quase mata. O mais triste é ter a sensação da perda sem morte.

Nesta semana resolvi colocar legendas em fotos do meu orkut. Fui escrevendo, meio sem pensar, querendo ser engraçado algumas vezes, outras querendo ser lisonjeiro, noutras apenas comentando mesmo. Hoje eu reli as legendas e me dei conta de uma frase que escrevi e define bastante o que este filme significou para mim:

Há aqueles que vêm e vão, há aqueles que vêm e ficam, e há aqueles que simplesmente são.

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pensamento de uma noite de insônia

1 Comentário Add your own

  • 1. michele  |  22/01/2009 às 10:57

    ai, como vc escreve bem! Só pulei o último parágrafo, pq quero ver o filme em breve.

    Saudade, viu?! Continue escrevendo para eu ir acompanhando suas letras por aqui.

    bjo

    Responder

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