aconteceu no último sábado

17/02/2009 at 5:09 2 comentários

Eu estava sentado num dos primeiros bancos do 996, indo ao Rio para o open house de uma amigona. Como de hábito, a cada parada, observo as pessoas que esperam por seus ônibus nos pontos, uma atividade que cultivo desde sempre. Fico imaginando pra onde irão, que ônibus pegarão, o que farão… “Viajo” durante a viagem. No último ponto da praia de Icaraí subiu ela… Eu a tinha percebido ainda do lado de fora por um detalhe inusitado: a bolsa de pano com uma estampa da Betty Boop. Já dentro do ônibus, logo atrás de umas três pessoas que passavam pela roleta, notei-a mais cuidadosamente. Cabelos cor de caramelo, visivelmente mal pintados. Rosto bonitinho, aparentava ter seus 25 anos, mas daquele estilo “sem sal”, sabe? Alta, casual no jeito de vestir – calça jeans, camiseta e um casaquinho que não combinava em nada com o calor que tem feito nos últimos dias por aqui – e com um livro debaixo do braço, além daquela indefectível bolsa da Betty Boop. Chegou à roleta, levou um bom tempo catando moedas para completar a passagem, tendo feito o cobrador perder um pouco a paciência (e confesso que eu também perdi) já que logo a mesma travaria. Ela se sentou no banco ao lado do meu, se dirigiu novamente ao trocador e perguntou “esse ônibus passa pela rodoviária do Rio, né?”. Ele respondeu que sim. “Mas passa na frente mesmo?”. O trocador disse que a avisaria quando estivesse próximo à sua parada. Ela ficou olhando pra ele, meio perdida e, depois de alguns segundos (deve ter sido o tempo que o cérebro levou pra processar as palavras ditas pelo simpático e prestativo rapaz), sorriu retribuindo-lhe o favor. Daí veio o melhor: ela abre o livro que estava embaixo de seu braço e começa a ler. Ela lia algumas páginas, dava uma pequena pausa, olhava para a capa, continuava lendo, pausava de novo… Ela lendo e eu observando-a. Me entreti com a forma como a moça lia o livro, com tanto prazer e curiosidade. E volta e meia lá ia ela dar uma olhadela na capa. Aquilo foi me angustiando. “Que raios de livro é esse?” me perguntava. A travessia pela ponte Rio-Niterói foi bem rápida, graças à menina do livro e logo estávamos próximo à rodoviária. O trocador olhou pra ela e disse “é o próximo ponto, ta?”. Ela olhou pra ele, levou alguns segundos e soltou “é o próximo?”. “É sim, logo ali na frente”. Ela sorriu e ficou olhando pra ele, parada, com o livro aberto sobre o colo e a bolsa de Betty Boop ao lado do corpo. O trocador levantou o braço e puxou o cordão, fazendo sinal ao motorista para fazer a parada no ponto da rodoviária. Ela continuou imóvel. Meio assustado, o trocador lhe disse “É no próximo ponto, TÁ?”. “Ah é?”. Ele acenou com a cabeça que sim. O motorista parou, ela fechou o livro, pendurou sua bolsa no ombro, se levantou e deu adeus ao trocador, agradecendo-lhe novamente pelo favor. Foi então que eu consegui ver o título do livro: Como fazer amigos e influenciar pessoas.

O mundo é mesmo um manicômio.

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do baú propaganda de camisinha

2 Comentários Add your own

  • 1. michele  |  18/02/2009 às 16:12

    tava entrando em parafuso já, achando q vc nao ia dizer o nome do livro.

    amei, amigo. MUITO bem escrito.

    Responder
  • 2. marta  |  20/02/2009 às 23:39

    huauhauhauhauhuha!!!

    Tb tenho essa mania!!! Adoro observar as pessoas qdo estou no ônibus.

    Responder

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