Posts tagged ‘Cadê meu Rivotril?’

momentos “garoto-enxaqueca”

Sair de casa durante a semana, em horário comercial, é sempre um prenúncio de que você certamente atingirá altos níveis de irritação antes de voltar a seu lar. Foi assim hoje comigo. Só pra variar. Sim, estou sendo irônico.

Levei quase uma hora pra chegar ao Centro da cidade para minha sessão semanal de acupuntura. Sinais do mundo moderno, do aumento da população, do crescente número de carros, dos péssimos serviços prestados pelas esferas do governo… enfim. Pra abstrair e não me estressar, comecei a cantarolar pra mim mesmo – é ÓBVIO que eu não iria torturar os demais passageiros obrigando-os a escutar todo o meu desafinamento. Cheguei ao prédio da clínica e havia uma pequena fila esperando o único elevador em funcionamento. Eu era o quarto da fila. Quatro pessoas, uma atrás da outra, qualquer ser humano normal subentende que seja uma fila, né? Constatei que não. Logo atrás de mim chegou uma moça com seu filho de aproximadamente oito anos, segurando-o pela mão e meio que o guiando para o meu lado, quase indo pra frente, sabe? Pois então! Momentos depois o elevador chegou, as pessoas que estavam nele saíram e a pequena embora real fila começou a entrar. Nisso, assim que ensaiei o primeiro passo, a moça foi não só guiando o filho como ultrapassando a mim e ao rapaz que estava na minha frente! Entrou no elevador e ficou com cara de “nada aconteceu”. Eu fui entrar e o ascensorista me impediu avisando que a capacidade máxima do elevador já estava esgotada. Não aguentei e soltei um “pois é, to atrasado e vou demorar mais ainda a ter minha consulta porque ela furou fila!”. A “ela” em questão olhou pra mim com cara de “não to entendendo”. O rapaz que estava na minha frente falou que eu poderia ir no lugar dele, o ascensorista “agora é com vocês, vocês que se entendam” e a “desentendida” se tocou do papelão que tava fazendo, pegou o filho pelo braço e disse “podexá que eu vou na próxima, não to com pressa mesmo”. Entrei no elevador e o rapaz vira pra mim e diz “você sabe que tá certo? As pessoas são muito mal educadas mesmo, e continuam porque ninguém fala nada, fica todo mundo calado”. Concordei de imediato. Fiz minha acupuntura, é sempre ótimo, relaxa, eu havia até me esquecido do episódio do elevador.

Quando saio do prédio vejo que o trânsito está quase que totalmente parado, tive que cancelar um compromisso em que eu teria que estar em São Gonçalo até as 17 horas (já eram 16:00 e certamente não levaria menos de uma hora e meia até chegar lá pra dar de cara na porta e ter que voltar). Peguei o ônibus pra voltar pra casa. Vários idosos frequentam o 49 e hoje eles estavam especialmente em número elevado. Praticamente 80% dos passageiros do ônibus eram idosos que, em sua maioria, entram pela porta de saída, com alguma dificuldade pois os degraus são realmente ingratos pra quem tem problemas como artrite, osteoporose, etc., dentre outros revezes do avanço da idade. Eis que então se prostra nos degraus um senhor com seus 180 quilos de massa corporal que resultavam numa barriga de uns dois metros de diâmetro. Ou seja, as dificuldades naturais da maioria dos passageiros (e também dos demais 20%) foram ainda mais agravadas pois o sujeito aparentemente é daqueles que gosta de ficar na escadinha, sabe? A cada parada que o ônibus fazia, o homem não saia dos degraus, apenas contraia sua barriga e achava que os 2mm que ele generosamente dava de espaço pra passagem das pessoas era o suficiente. Me deu uma baita vontade de reclamar mais uma vez, mas fiquei com medo dele achar que um magrelinho de óculos estava sendo muito abusado com ele. Ainda bem que ele saltou alguns pontos antes de eu chegar em casa, quase uma hora após ter subido no ônibus.

02/06/2010 at 18:54 Deixe um comentário


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