Posts tagged ‘Divagações’

eleições 2010 – constatações particulares

GRAÇAS AO MEU BOM DEUS hoje é o último dia de propaganda eleitoral na TV e no rádio. Foram semanas intermináveis daquela ladainha de sempre, com os inacreditáveis candidatos que mais parecem humoristas, as pseudo-celebridades querendo ingressar na carreira política, as velhas raposas que dominam o quadro político nacional desde sempre e seus descendentes e pupilos tentando perpetuar a roubalheira generalizada a qual, infelizmente, nos acostumamos.

Nesse ano também  testemunhamos uma das campanhas mais sujas já feitas. O candidato à presidência José Serra apelou, como todos os seus antecessores tucanos, e deu vários tiros nos próprios pés. Foram “escândalos” atrás de “escândalos”, alardeados pelo candidato e por seus porta-vozes, defensores, aliados e veículos de comunicação. Já havíamos visto esse filme antes, desde o embate Collor x Lula, mas nunca com tanta veemência quanto agora, a ponto de um jornal assumir em seu editorial o que todo mundo já tava cansado de saber (seu apoio ao ex-governador paulista). Até uma ex-amante pra candidata petista tentaram arrumar, como se o fato dela ser supostamente lésbica pudesse desqualificá-la para o cargo, assim como o fato dela ser petista, comunista, terrorista, assassina, ladra, comedora de criancinhas e tantas outras coisas que atribuiram a ela – nenhuma delas comprovada, a não ser sua filiação ao PT. Chegou-se ao cúmulo de falsificarem e noticiarem falsas fichas criminais, fotos manipuladas de Dilma portando armas de fogo sem averiguarem a veracidade dos fatos, apenas pelo bel prazer de tentar desmontar uma candidatura que vai contra os princípios da classe dominante.

Dominante?

Estamos sendo testemunhas também de uma troca de posições. Até a última eleição, a imprensa era denominada o 4º poder. Hoje ela perdeu esse posto. A internet é o 4º poder. O acesso às informações de pontos de vista diferentes dos que nos eram empurrados goela abaixo até pouco tempo (como disse certa vez Caetano Veloso, não necessariamente com essas palavras, “não vejo o Jornal Nacional para saber o que acontece mas sim para saber como o Jornal Nacional quer que eu pense”) agora fizeram o povão, que foi incluído digitalmente nos últimos 8 anos, sacar o que era manipulação e o que era de fato real. Tenho vários amigos, conhecidos e até pessoas da família que trabalham como jornalistas, pessoas que estimo e respeito, mas confesso que tô tendo um prazer enorme em ver que o velho jornalismo tá em plena decadência, sendo desmoralizado e avacalhado por conta de sua própria irresponsabilidade. Não sei porque, às vezes acho que é até um prazer masoquista, mas adoro ler pessoas como o Noblat e o Merval (d’O Globo) e ver o quanto eles tentam não se sufocar com as palavras de seus textos retrógrados, inconsistentes, cobertos e recheados de parcialidade.

Estamos a poucos dias da eleição. Confesso também que não sou a favor de nenhum dos cadidatos atuais, não vejo luz no fim do túnel para o Rio de Janeiro (espero estar enganado e que o estado realmente prospere com todos os grandes eventos que ocorrerão nessa década) e acredito que o novo congresso terá uma das piores configurações jamais vista nesse país mas, por outro lado fico satisfeito por ver que a população, mesmo “burra”, “ignorante” e “despreparada”, não cai mais na disseminação do medo à la Bush que a grande mídia reacionária, direitista e elitista insiste em fazer.

E, GRAÇAS AO MEU BOM DEUS, ao que tudo indica, Serra e PSDB estão fora e ficarão a ver navios!!!

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30/09/2010 at 17:00 Deixe um comentário

nossa senhora!

Um amigo me mandou hoje pelo MSN um link que muito me espantou. Conversando com outro, perguntei “com quantos anos ela deve estar, hein?” e me veio de sobressalto a resposta que me inquietou: “uns cinquenta e poucos”. Aquilo não bateu bem nos meus olhos. Não é possível que Sinéad O’Connor esteja na mesma faixa etária da minha mãe! Instigado com a dúvida que me corroia, procurei na Bíblia do show business e verifiquei que meu questionamento tinha fundamento! Sinéad O’Connor nasceu em 8 de dezembro de 1966, ou seja, a moça tá com 43 anos de idade. Daqui a pouco estarei lá. E, além de estar quase lá, a moça faz aniversário no mesmo dia que eu faço. Sagitariana! Nascida sob o melhor signo do zodíaco e também provavelmente o mais incompreendido. Atribuem a nós centauros algumas coisas com as quais discordo veementemente pois sou prova viva de que são calúnias e difamações.  Enfim…

Daí fui me dando conta das pessoas que nasceram no dia de Nossa Senhora da Conceição… Assim como eu e Sinéad, sopram (e sopraram) velinhas no mesmo dia figuras como Kim Basinger. A ex-senhora Alec Bladwin, que já comprou uma cidade, que namorou aquele cantor a quem chamavam de Prince e depois substituiu o nome por um símbolo impronunciável, que ganhou um absurdo Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo ótimo Los Angeles – Cidade Proibida. Aumenta a lista Jim Morrison. O Rei Lagarto, o Dionísio, o Mr Mojo Risin’, aquele que também fez uma faculdade de Cinema assim como este que escreve estas palavras, que já foi preso no palco por incentivar o público a fazer uma manifestação contra a polícia, que foi a julgamento por mau comportamento em público, que vivia se drogando… Ainda na lista dos sagitarianos do dia 8, temos Vera Fischer. O que falar de Verinha, não é mesmo, minha gente? Já deu facada em ex-marido, já foi considerada judicialmente incapacitada de criar o filho, tem um vasto histórico com álcool e drogas, interpretou a personagem Múmia em seus últimos  trabalhos… O dia 8 de dezembro de 1980 foi marcado pelo assassinato de John Lennon.

Através destes poucos exemplos dá pra entender um pouquinho o motivo pelo qual os sagitarianos são considerados inconstantes e problemáticos (malucos!), além de desapaixonarem tão rápido quanto se apaixonam (galinhas!), que são “muito livres” e por isso não se apegam às pessoas (filhos da p#%a!), são aventureiros e não gostam de rotina (malandros!), dentre outras características injustíssimas aos centauros do final de novembro e boa parte de dezembro.

Pelo menos ainda há alguns sagitarianos que nascem beeeeeeem diferentes dessa feia imagem que pintam da gente.

Companheira do dia 8

Aproveitando pra puxar a brasa pra minha sardinha mode: ON.

05/06/2010 at 3:47 1 comentário

momentos “garoto-enxaqueca”

Sair de casa durante a semana, em horário comercial, é sempre um prenúncio de que você certamente atingirá altos níveis de irritação antes de voltar a seu lar. Foi assim hoje comigo. Só pra variar. Sim, estou sendo irônico.

Levei quase uma hora pra chegar ao Centro da cidade para minha sessão semanal de acupuntura. Sinais do mundo moderno, do aumento da população, do crescente número de carros, dos péssimos serviços prestados pelas esferas do governo… enfim. Pra abstrair e não me estressar, comecei a cantarolar pra mim mesmo – é ÓBVIO que eu não iria torturar os demais passageiros obrigando-os a escutar todo o meu desafinamento. Cheguei ao prédio da clínica e havia uma pequena fila esperando o único elevador em funcionamento. Eu era o quarto da fila. Quatro pessoas, uma atrás da outra, qualquer ser humano normal subentende que seja uma fila, né? Constatei que não. Logo atrás de mim chegou uma moça com seu filho de aproximadamente oito anos, segurando-o pela mão e meio que o guiando para o meu lado, quase indo pra frente, sabe? Pois então! Momentos depois o elevador chegou, as pessoas que estavam nele saíram e a pequena embora real fila começou a entrar. Nisso, assim que ensaiei o primeiro passo, a moça foi não só guiando o filho como ultrapassando a mim e ao rapaz que estava na minha frente! Entrou no elevador e ficou com cara de “nada aconteceu”. Eu fui entrar e o ascensorista me impediu avisando que a capacidade máxima do elevador já estava esgotada. Não aguentei e soltei um “pois é, to atrasado e vou demorar mais ainda a ter minha consulta porque ela furou fila!”. A “ela” em questão olhou pra mim com cara de “não to entendendo”. O rapaz que estava na minha frente falou que eu poderia ir no lugar dele, o ascensorista “agora é com vocês, vocês que se entendam” e a “desentendida” se tocou do papelão que tava fazendo, pegou o filho pelo braço e disse “podexá que eu vou na próxima, não to com pressa mesmo”. Entrei no elevador e o rapaz vira pra mim e diz “você sabe que tá certo? As pessoas são muito mal educadas mesmo, e continuam porque ninguém fala nada, fica todo mundo calado”. Concordei de imediato. Fiz minha acupuntura, é sempre ótimo, relaxa, eu havia até me esquecido do episódio do elevador.

Quando saio do prédio vejo que o trânsito está quase que totalmente parado, tive que cancelar um compromisso em que eu teria que estar em São Gonçalo até as 17 horas (já eram 16:00 e certamente não levaria menos de uma hora e meia até chegar lá pra dar de cara na porta e ter que voltar). Peguei o ônibus pra voltar pra casa. Vários idosos frequentam o 49 e hoje eles estavam especialmente em número elevado. Praticamente 80% dos passageiros do ônibus eram idosos que, em sua maioria, entram pela porta de saída, com alguma dificuldade pois os degraus são realmente ingratos pra quem tem problemas como artrite, osteoporose, etc., dentre outros revezes do avanço da idade. Eis que então se prostra nos degraus um senhor com seus 180 quilos de massa corporal que resultavam numa barriga de uns dois metros de diâmetro. Ou seja, as dificuldades naturais da maioria dos passageiros (e também dos demais 20%) foram ainda mais agravadas pois o sujeito aparentemente é daqueles que gosta de ficar na escadinha, sabe? A cada parada que o ônibus fazia, o homem não saia dos degraus, apenas contraia sua barriga e achava que os 2mm que ele generosamente dava de espaço pra passagem das pessoas era o suficiente. Me deu uma baita vontade de reclamar mais uma vez, mas fiquei com medo dele achar que um magrelinho de óculos estava sendo muito abusado com ele. Ainda bem que ele saltou alguns pontos antes de eu chegar em casa, quase uma hora após ter subido no ônibus.

02/06/2010 at 18:54 Deixe um comentário

quando a publicidade erra

Estão no ar atualmente dois comerciais que considero infelizes. Um deles, profundamente irritante, é o do Listerine Whitening.

Alguém consegue me explicar por favor como conseguiram aprovar tal aberração? A dupla de atores é das mais bizarras, sendo o rapaz que fala ao microfone dono de uma das expressões faciais que mais me despertam asco. Ele faz cara de demente e aquela bocarra aberta não beneficia em nada o produto anunciado. Nota zero!

O outro comercial nem é tão ruim. Apenas um detalhe me instiga. A propaganda em questão é da cerveja Itaipava e tem como mote principal a frase “Itaipava combina com o quê?” (infelizmente não consegui achar o vídeo na internet, mas ele passa toda hora na TV). Pra variar, aparece muita gente bonita e feliz bebendo sua cervejinha em ocasiões diversas. Quase ao final, uma bela moça aparece sozinha segurando uma garrafa de Itaipava. Como eu disse, ela é até bonita, mas sua cara sempre me passa uma impressão de desconforto, com um sorriso forçado e um olhar arregalado que me fazem me questionar se:

a) estaria alguém passando a mão na bunda dela no momento?

b) a garrafa de cerveja estava muito gelada e queimando os dedos dela?

c) estaria ela com gases e segurando um punzinho?

d) teria ela feito uma aplicação de botox mal realizada?

e) aquilo é o máximo que ela consegue expressar como espontaneidade?

27/10/2009 at 0:35 3 comentários

cá e lá

Tô eu no mundinho de cá. Acabo de chegar em casa depois de enfrentar um engarrafamento de quase duas horas vindo da futura sede das Olimpíadas de 2016, a cidade maravilhosa cheia de pessoas que fazem xixi pelas calçadas, jogam lixo nas ruas, quebram e picham o patrimônio alheio e ainda assim se acham capazes de receber pessoas do mundo inteiro.

Tomo meu banho quentinho, fico limpo e cheiroso, tento relaxar e esquecer do tempo perdido preso dentro do ônibus que passou por ruas alagadas em meio ao trânsito mal planejado. Ligo a TV como quem não quer nada e no Rio de Janeiro de Maneco, onde tudo é limpo, povo feliz, rico, sorridente e sem problemas financeiros, tudo divino e maravilhoso,  acontece a seguinte cena: a irmã de Helena tá uivando de dor das contrações, quase parindo, com a mãe segurando sua mão, quando o médico pergunta à futura vovó se ela quer assistir o parto. Como de costume nos diálogos de Maneco, ela recusa a oferta dando gargalhadinhas ao final da frase quando adentra Helena no recinto e responde que quer, sendo que ela NÃO ESTAVA PRESENTE E NEM SABIA QUE HAVIA SIDO FEITA UMA PERGUNTA!

09/10/2009 at 21:29 2 comentários

será que é muita implicância minha?

Vou confessar, sem vergonha nenhuma, que não gostei de Salve Geral, filme dirigido por Sérgio Rezende e escolhido como representante do país na corrida a uma vaga entre os finalistas na categoria Melhor Filme Estrangeiro do Oscar 2010. Desconfio de que a comissão responsável pela escolha do filme seja partidária à certeza de que o Brasil não tenha chance alguma de figurar entre os cinco candidatos finais.

Confesso também minha mais do que nunca frequente preguiça com filmes em geral e cinema em particular. Raros são os que me animam a sair de casa pra encarar um telão rodeado de pessoas que ficam fazendo piadinhas e rindo de si próprios enquanto o filme rola, ou com aquela gente que adora atender celular (que geralmente têm os toques mais escandalosos possíveis) e ficar de papo comentando até o capítulo do dia anterior da novela, e ainda o povo que não para de chutar seu encosto e dar joelhadas na sua cabeça… Quase sempre penso que, dentro da limitada dimensão da minha humilde TV, o conforto de casa compensa esse “sacrifício” todo.

Daí me veio a notícia de que Salve Geral teria uma exibição- GRATUITA – de pré-estreia no Cine Arte UFF com um debate com o diretor, Luiz Eduardo Soares (doutor e professor da UERJ e autor de Elite da Tropa) e mediação da professora (de Mídia e Violência) e mestranda da UFF Flora Daemon. Lá fui eu com duas amigas na maior das boas vontades, disposto a me surpreender com a obra e acompanhar com entusiasmo ao debate. Lêdo engano.

salve geral

– Deus, por favor, faça com que nosso filme não esteja no Oscar do ano que vem!

– Fica tranks, Dedeia! A comissão do Ministério da Cultura já se encarregou e garantiu que não estaremos lá.

O filme se arrasta por duas horas. O tema atual e que poderia render numa coisa eletrizante, digna de muito suspense com suas personagens envolvidas em tramas recheadas de traições, segredos e reviravoltas, resulta entediante e com jeito de desleixado. A direção pesada de Rezende dá ao filme um aspecto de produção da década de 70. Não é que seja pobre, é apenas antiquado. Andréa Beltrão, de quem gosto muito, é a única digna de ser chamada atriz no filme. Mas a coitada é obrigada a falar cada frase típica de melodramas de TV e passar em segundos de ingênua envolvida pelo ingrato destino no escuso negócio da criminalidade depois que seu filho é preso (justificadamente) a pessoa “descolada” no esquemão. A “madrinha” dela nessa vida é Ruiva, uma interpretação caricata de Denise Weinberg. Toda vez que aparecia o Pedrão, detento líder do PCC, eu era tomado por uma vergonha alheia tremenda diante de tamanha falta de expressividade. O resto do elenco também não convence. Não há inventividade na edição ou fotografia, a abertura com seus créditos hollywoodinamente elaborados me causou uma falsa primeira impressão de que veria algo que marcasse o final da primeira década do novo milênio como retrato da época mas o que eu senti foi estar assistindo a um produto que poderia ter sido feito igualmente há 30 e poucos anos. Pretende-se como algo surpreendente no decorrer da história e no desenvolvimento (e também desfecho) das personagens e não inova ao colocar um presidiário com quem Lúcia (Andréa Beltrão) tem um caso de amor bandido na pele de um ator bonitão (minha amiga ficou suspirando ao meu lado quando ele aparecia em cena) enquanto seu rival Pedrão é negro e feio. Não seria mais interessante, já que estamos no século XXI e muitos preconceitos já caíram tanto na ficção quanto na realidade, eles terem fugidos dos estereótipos antiquados e colocado um ator de verdade (como o Lázaro Ramos ou o Matheus Nachtergaele) pra fazer o Professor e um galã que soubesse atuar no papel do opositor? Em algumas cenas a plateia soltava risadas, e acredito que tenham sido provocadas involuntariamente. Pelo menos eu ria do rídiculo de algumas delas. A única parte que me fez soltar risadas expontâneas foi quando Lúcia recusa uma cheirada de cocaína justificando que irá dirigir. A cena de perseguição me certificou de que via a mais um exemplo de que tem certas coisas que  poucas pessoas deveriam ousar fazer no cinema nacional. Se fosse um Fernando Meirelles, seria outra coisa. Mas como não é, vemos um caminhão de mudanças enorme fechar uma rua, mesmo com a sirene do carro de polícia berrando, e depois uma das conclusões mais canastras que já vi – ou é comum carretas que transportam automóveis ficarem estacionadas nas calçadas com suas rampas abaixadas?

O filme terminou e não me satisfez. Não fui cativado por nenhuma personagem, não torci, não me envolvi. Apenas me aborreci. Achei uma pena. Mais uma vez o Brasil estará fora do Oscar. Acredito que a participação só acontecerá no dia que o cinema nacional parar com a mania de achar que temos apenas uma realidade – a da marginalidade. Continuo implicando com essa coisa de termos sempre filmes de destaque que seguem a linha do “retrato da realidade” – invariavelmente miséria e criminalidade. Há quem saiba e possa fazer. Há quem deva ficar no lado das produções menos ambiciosas. Pronto, falei!

Dr. Prof. Luiz Eduardo Soares

24/09/2009 at 1:29 2 comentários

toda errada

susana

O mesmo sorriso forçado de sempre em prol de uma campanha pelas Olimpíadas no Rio em 2016. Erro total!

17/09/2009 at 15:24 Deixe um comentário

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